Primeiras conquistas, grandes vitórias

Engatinhar, falar, ir ao banheiro sozinho… Saiba como ajudar seu filho em cada nova ação vivenciada e aprenda a tirar o melhor proveito desses momentos.

Pais com filhos pequenos, preparem suas emoções! Esse período, repleto de novidades, sugere estímulos, respeito aos limites da criança, auxílio em momentos delicados e, claro, muito orgulho do sucesso dos baixinhos. Afinal, os primeiros desafios e vitórias que marcam o desenvolvimento dos pequenos são experiências inesquecíveis, tanto para as crianças quanto para a mamãe e o papai.

Veja, a seguir, todas as dicas e conselhos do pediatra Antonio Ananias Filho que valem para cada nova descoberta do seu filho.

Bê-á-bá: primeiras palavras

Começa: segundo Ananias Filho a linguagem se inicia no primeiro ano de vida. “Com nove meses (o bebê) vocaliza ma-ma/da-da; com 12 meses imita palavras, (possivelmente) duas palavras além de ma-ma e da-da; com 18 meses fala de três a seis palavras e associa duas palavras em frases. Se (o bebê) não faz uso de palavras isoladas, procure alertar seu pediatra. Já com dois anos tem vocabulário com 20 palavras e forma frases com três palavras”, aponta.

Incentivos: conversar com o bebê mostrando figuras, ler livros, esbanjar elogios a cada progresso e incentivar a interação com outras crianças são alguns estímulos que os pais devem colocar em prática nessa fase da vida de seu filho.

Possíveis desafios e superação: Ananias Filho explica que a gagueira pode aparecer aos três anos. Caso isso ocorra, os conselhos do pediatra são: não pressione a criança, não caçoe, não tente ajudá-la e também não apressá-la. O melhor a fazer é comunicar o seu pediatra se isso persistir, pois talvez o auxílio de uma fonoaudióloga seja necessário.

 

Alimentação: comer com talheres

Começa: “o uso de talheres e copo só é possível a partir do domínio adequado dos movimentos das mãos e se inicia com 15 meses; com 18 meses a criança já bebe no copo e usa colher”, explica Ananias Filho. Colocar pouca comida no prato da criança é a dica do profissional.

Incentivos: o ambiente deve ser agradável no momento da alimentação do seu filho; “evite ‘clima de guerra’ nesta hora”, destaca. Quando a criança completar dois anos, o pediatra sugere desligar a TV na hora das refeições. Elogiar sempre e incentivá-la a comer sozinha. Além disso, durante esse período, os pais também podem aproveitar para retirar a mamadeira da criança lentamente. Afinal, unir o útil ao agradável é sempre bom!

Possíveis desafios e superação: usar talheres e copos como brincadeira, ou até mesmo a própria comida; os pais devem impor limites para o momento da refeição, bem como estipular horários. Outro alerta do pediatra é para evitar suprir seu filho com guloseimas.

 

Primeiros passos: engatinhar e andar

Começa: de acordo com Ananias Filho, com sete meses o bebê senta sem apoio por pouco tempo; com oito meses fica sentado sem apoio por cinco minutos. Já com nove e dez meses o bebê pode começar a engatinhar e a manter-se em pé apoiado em objetos. Aos 11 meses caminha apoiado pelas mãos dos pais ou em móveis. Quando completa um ano anda apoiado com apenas um das mãos. Já com 15 meses anda e agacha.

Incentivos: em se tratando de engatinhar, o profissional aconselha a dar liberdade para a criança. Já no momento em que ela começar a andar apoiada pelas mãos ou móveis, os pais podem estimular com brinquedos de puxar ou empurrar. E atenção: Ananias Filho ressalta para a criança não fazer uso de andador.

Possíveis desafios e superação: tome precauções quanto a grades, portinholas, tomadas, toalhas de mesa que possam ser puxadas pelo bebê, escadas e piscinas. Além disso, o profissional alerta para não deixar a criança brincando sozinha e muito menos deixá-la perto de piscina sem a presença de um adulto no local.

 

Estudos: a hora da escola

Começa: para o pediatra, a melhor idade para a criança ir à escola é aos dois anos. “Mas nas condições atuais de nossa sociedade, onde as mulheres estão ativamente no campo de trabalho, fora de casa, a criança tem que ir para creches ou berçários mais cedo. A opção antes da escola pode ser o auxílio da família (avó/tios) ou uma babá de confiança”, diz.

Incentivos: para Ananias Filho o maior medo das crianças em relação à escola é sentir a separação dos pais, terem a sensação de que serão ‘largadas’. Por isso, o pediatra recomenda mostrar o local antes para a criança, fazer o trajeto da casa até a escola, sempre mostrar o lado positivo da escola e também, se possível, apresentar com antecedência a professora à criança. Dizer que encontrará muitos amiguinhos da sua idade e que fará muitas brincadeiras também ajuda. O importante, ainda, é não demonstrar insegurança no momento de levar o filho à escola.

Possíveis desafios e superação: segundo o profissional, na escolha da escola ou creche deve-se levar em conta condições físicas e de funcionamento. Não se recomenda que as crianças fiquem fechadas o dia todo em apartamento sem companhia de outras crianças para não retardarem seu desenvolvimento social e cognitivo. Além disso, muitas dificuldades ocorrem no momento da criança ir à escola, pois algumas são mais apegadas aos pais e estes, por sua vez, são inseguros. “Deve-se então, acompanhar e ficar com a criança nos primeiros dias até que ela se sinta segura no novo ambiente. Os pais também devem demonstrar que ela ficará só um pouquinho e que no final estarão lá para buscá-la. Tudo isso pode ser feito no período de adaptação, em poucas horas, até completar permanência total da criança”, destaca o pediatra.

 

Necessidades fisiológicas: tirar a fralda e ir ao banheiro sozinho

Começa: segundo Ananias Filho, o treinamento para a criança evacuar e deixar a fralda no passado pode se iniciar por volta dos 15 meses, mas não apresse seu filho, pois esse processo também pode acontecer mais tarde, por volta dos 18 meses, ou aos dois anos. Já o treinamento para urinar deve começar após o controle das evacuações serem positivas. O pediatra recomenda levar a criança para urinar a cada 3 horas.

Incentivos: “aproveite que a criança pede para evacuar e leve-a para o peniquinho ou sanitário com tampa apropriada”, conta o pediatra. Três vezes ao dia, 20 minutos após as refeições é o indicado, mas se a criança já tem o seu horário, usufrua dele. “Deixe a criança sentada por dez minutos e neste período lhe dê atenção, mostre revistinhas, bata papo, estimule a fazer força, faça massagem leve no abdome. Elogie e agrade por te conseguido ficar sentada. Quando a criança conseguir evacuar, elogie também. Conte para o pai para que na hora em que ele chegar a casa também participe do treinamento e de atenção à criança”, explica.

Possíveis desafios e superação: “se a criança ficar sentada e logo depois evacuar na fralda não faça comentários, isso é normal no começo”, alerta o profissional.

 

Hora da soneca: dormir na própria cama

Começa: Ananias Filho diz que a partir dos três meses a criança já deve dormir em um quarto separado dos pais, ou pode-se separar o berço da criança da cama dos pais por biombo ou cortina grossa. “A criança deve dormir cedo, sempre na mesma hora, a não ser em ocasião de exceção; além disso, deve acordar cedo”, conta. Mas o momento da transição para a própria cama pode acontecer após um ano.

Incentivos: o pediatra aconselha estabelecer uma rotina para a criança antes de dormir como: tomar banho, tomar líquido, contar histórias, beijo de boa noite… Além do mais, a criança deve ir para a cama acordada. Ter um pequeno abajur com luz fraca ou deixar o ambiente em penumbra são outras dicas do profissional. É interessante, ainda, sempre ficar ao lado da criança até ela dormir, para se sentir segura.

Possíveis desafios e superação:  brincadeiras excitantes devem ser evitadas antes de dormir e nunca levar a criança para a cama dos pais. “A dificuldade maior é quando acontece esse transporte para a própria cama da criança, após um ano. Neste momento, só o que resta é ter paciência e aguardar a criança se sentir segura para dormir sozinha. Não adianta ficar bravo, bater, fazer promessas, amedrontar. Isso só cria outro problema”, afirma o especialista.

 

Fazer o laço do tênis sozinho

Começa: “com três anos a criança já calça sozinha os sapatos; estimule o comportamento. Com quatro anos sabe vestir-se e despir-se, lava e enxuga as mãos, escova os dentes… E com cinco anos já sabe dar laço nos sapatos”, relata o pediatra.

Incentivos: não interfira nas iniciativas da criança e sempre a oriente quando solicitado. Elogie sempre, não a critique.

Possíveis desafios e superação: “se o laço ficar errado não critique, não corrija, deixe a criança pedir para ser ajudada. Você pode orientar, mas não faça por ela, ensine, e não peça perfeição nos atos, não pressione”, diz Ananias Filho. É ainda importante não fazer comparação entre uma criança e outra, afinal, cada uma tem o seu tempo.

 

Alfabetização: ler e escrever

Começa: aos quatro anos Ananias Filho diz que a criança já conta moedas, segura lápis, copia uma cruz, recorta e cola, sabe duas a três cores, sabe números em sequência lógica. Aos cinco anos desenha a figura humana com cabeça, corpo, braço e pernas. Aos seis anos conta até dez, escreve seu nome, copia um losango, desenha a figura humana com seis partes do corpo… Com sete anos copia vogais. Aos oito anos sabe as horas.

Incentivos: no início do contato da criança com a alfabetização, o profissional recomenda estimular o aprendizado com brincadeiras de recortar e colar e também com pinturas. Depois, estimule com leituras. “Mostre interesse pelas atividades da criança e elogie sempre.”

Possíveis desafios e superação: caso haja dificuldade no aprendizado da criança, não recorra a chantagens para ela conseguir uma evolução. O pediatra recomenda fazer avaliação oftalmológica, fonoaudiológica e psicológica.

 

Pedalar na bicicleta sem rodinhas

Começa: com três anos a criança já pedala triciclo e com seis anos já consegue pedalar bicicleta sem rodinhas, segundo Ananias Filho.

Incentivos: elogie e ensine a criança a pedalar com segurança. Deve-se usar capacete, ensinar regras básicas de trânsito, de como atravessar a rua e respeitar os pedestres. “Os pais devem sempre se mostrar solícitos para auxiliar a criança, mas também sempre reforçar sua independência e autorresponsabilidade”.

Possíveis desafios e superação: para o pediatra, o desafio será segurar a impulsividade da criança, por isso a importância de ensinar regras básicas de trânsito. A bicicleta também deve ser apropriada para a idade da criança a fim de evitar acidentes.

 

Dormir fora de casa

Começa: a vontade de dormir na casa de amigos pode iniciar-se por volta dos 12 anos, de acordo com Ananias Filho. “É a fase do desenvolvimento puberal, início da independência e separação da família, repúdio dos padrões antigos, ênfase na relação com os amigos, desafio à autoridade paterna”, diz.

Sugestões: nessa fase, o pediatra aconselha a respeitar a individualidade do filho, permitir privacidade e estimular autocrítica, responsabilizá-lo por objetos pessoais, evitar conflitos desnecessários, estipular horário adequado para sair e chegar a casa. Além disso, Ananias Filho recomenda “colocar regras básicas de sobrevivência social: ‘o direito de cada um termina quando começa o do outro’”, conta. E, ainda, advertir sobre álcool, drogas e pessoas estranhas. Orientá-lo a recusar carona ou passeios de pessoas estranhas e sempre manter comunicação com o pré-adolescente.

Publicado em: 26 de junho de 2014

Adicionado em: Filhos

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