Tradição vinda da colheita: Festa do Milho Verde de Tanquinho chega a sua 43º edição com iguarias tradicionais

Por Thainara Cabral

A gastronomia, certamente, é uma herança simbólica que as famílias utilizam para manter tradições culturais e sentimentais.

Receitas são deixadas de geração para geração para manter viva a descendência e as lembranças de parentes que já se foram. A comida também cumpre o papel de união e é exatamente isso que acontece anualmente no bairro Tanquinho, localizado na área rural de Piracicaba.

As famílias moradoras se unem em equipes para preparar os pratos para a Festa do Milho Verde de Tanquinho, evento gastronômico que reúne receitas feitas a partir do milho.

Creme é feito com o  milho mais novo da colheita refogado (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Creme é feito com o milho
mais novo da colheita refogado (Foto: Claudinho Coradini/JP)

A 43º edição da festa começou no final de semana passado e será encerrada nos dias 25 e 26, no Centro Rural de Tanquinho.

O evento tem apoio do Jornal de Piracicaba e da Revista Arraso. Presente de diversas formas em receitas doces e salgadas, o milho representa para Tanquinho a sustentação econômica, já que todo dinheiro arrecadado com os produtos derivados do cereal são destinados às atividades sociais do Centro Rural, voltadas à saúde, educação, segurança, esporte e lazer da comunidade.

O presidente do Centro Rural de Tanquinho, José Albertino Bendassolli, conhecido como Bertinho, relatou que a entidade passou a produzir o milho por conta própria em 2011, em uma área de 60 mil metros quadrados.

“Com a nossa própria plantação, conseguimos mais qualidade com o produto e nos auto sustentar. Toda a produção é destinada para a festa anual”, comentou Bertinho, que está à frente do Centro Rural há 28 anos. Bertinho relatou ainda que a produção, especialmente em março, atinge cerca de 12 mil dúzias de milho verde. Grande parte da colheita é destinada à produção da pamonha, doce que tornou Piracicaba conhecida nacionalmente através do famoso jingle e é a iguaria mais vendida na festa.

“Brincamos que não é a pamonha de Piracicaba, mas sim de Tanquinho”, comentou o presidente.

Pela alta demanda durante os três finais de semana de evento, o processo de fabricação do doce passou de artesanal para industrializado.

Em parceria com o Departamento de Agroindústria da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) e a Prefeitura, o Centro Rural implementou uma cozinha industrial específica para produção de pamonhas, com infraestrutura para o processamento e armazenagem do produto e equipamentos adequados. Segundo Bertinho, a cozinha já chegou a produzir 22 mil unidades da iguaria para a Festa do Milho.

Cuscuz é um dos pratos típicos da festa (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Cuscuz é um dos pratos típicos da festa (Foto: Claudinho Coradini/JP)

As famílias moradoras do bairro se dividem em equipes para produzir cada receita do evento. Além da pamonha, o cardápio da festa oferece o curau, bolo de milho, suco de milho, a espiga cozida, cuscuz, creme de milho, trufa e pão de mel de milho. A família Lopes é responsável pela cozinha que prepara o curau, bolo, cuscuz e o creme de milho. As receitas foram desenvolvidas por Leni Lopes, voluntária que trabalha na festa há mais de 15 anos.

“Só na minha cozinha trabalham cerca de 30 pessoas. Todas as famílias tradicionais do bairro se envolvem em todos os processos dos pratos, há uma integração muito bonita entre todas. É passado de geração para geração”, disse Leni. Segundo a moradora, após diversos testes feitos em sua própria casa, ela chegou até as receitas finais dos pratos, que ficaram sob responsabilidade da sua família. “Tentamos ressaltar o sabor do milho em tudo, mesmo que o prato seja simples”, disse.

Para render uma massa mais cremosa, o bolo preparado é resultado do milho batido com leite em pó e coco. O curau não foge do tradicional, feito com a polpa do milho coada, água e açúcar. Já o creme é feito com o milho mais novo da colheita refogado, a polpa usada do curau, caldo de frango (retirado do cuscuz), tempero e cheiro verde para dar um toque de sabor.

Leni disse ainda que, a cada fi nal de semana, a sua cozinha produz cerca de 100 receitas de cada prato e utiliza 3.000 dúzias de milho.

“Essa loucura que vivemos durante a festa é o que rende a infraestrutura que a comunidade utiliza o ano todo. É gratifi cante manter viva essa tradição de décadas e ainda proporcionar ao público da região as delícias que o milho rende”, comentou a moradora.

SERVIÇO — 43º Festa do Milho Verde de Tanquinho. Dias 19, 25 e 26 de março, a partir das 11h, no Centro Rural de Tanquinho (rodovia Fausto Santo Mauro, km 16, sentido Rio Claro).

Publicado em: 20 de março de 2017

Adicionado em: Boa Comida

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