Café de todos os aromas: Casas oferecem bebida em diversas formas de preparo, combinação e sabores

Por Thainara Cabral

O Dia Nacional do Café, celebrado no dia 24 de maio, se aproxima.

A data sugerida pela ABIC (Associação Brasileira da Indústria do Café) simboliza o início da colheita em várias regiões produtoras do país e nos leva a refletir sobre o longo caminho percorrido pelo grão do café até chegar nas xícaras tão aclamadas pelo consumidor brasileiro.

Café Morro Grande tem produtos especiais para o café coado (Foto: Bruno Max)

Café Morro Grande tem produtos especiais para o café coado (Foto: Bruno Max)

Café no Cone serve o café em cone de sorvete, no Café com Mé (Foto: Bruno Max)

Café no Cone serve
o café em cone de
sorvete, no Café com Mé (Foto: Bruno Max)

Local de plantação, tipo de colheita, torragem, e método de coar.

Todos estes pontos são importantes para qualidade, sabor e aroma da bebida final que, sem dúvidas, é paixão nacional.

Um dos estabelecimentos de Piracicaba que levam em conta o conceito “slow café”, que valoriza toda a cadeia que envolve a produção do grão, é o Café Balcão, comandado pelo barista Eraldo Palmero.

A cafeteria com cerca de um ano pertence à terceira onda do café, um movimento surgido a partir da década de 1970 por pessoas que valorizam os cafés especiais, focados no sensorial, aroma, sabor e complexidade da bebida. Nesse sentido, o Café Balcão trabalha apenas com cafés especiais brasileiros, produzidos pela Isso é Café.

Em uma pirâmide, os cafés tradicionais se posicionam na base, os gourmet na metade e, acima de uma classificação especial estipulada por provadores especiais, estão os cafés especiais.

De acordo com Palmero, a diferença dos tipos está no grão, na colheita, torra e a bebida final.

“Todos os grãos dos cafés especiais tem um padrão de tamanho e não têm nenhum defeito. Geralmente, eles são colhidos à mão em seu melhor ponto de maturação e passam por um delicado processo de secagem. Depois, os grão são assados na torragem para caramelizar o açúcar e manter a acidez, corpo, doçura e aroma. Toda essa complexidade é sentida na xícara”, contou o barista.

No Café Balcão, Eraldo Palmero ajuda o cliente a descobrir qual o tipo de café e extração do grão que se encaixa mais no paladar pessoal.

As notas sensoriais de cada café, que podem variar entre sabores cítricos, chocolate e caramelo, depende do processo de tratamento do grão.

O barista explicou que cinco parâmetros são levados em conta para a valorização do sabor final, sendo eles o quanto o café é moído, como o grão é hidratado, turbilhamento e o tempo de contato com a água.Já os métodos de coar, Palmero utiliza seis: chemex, hario V60, Kalita Clever, Arpropress e prensa francesa.

“Cada método tem jeito um diferente nesses parâmetros. Não é que um seja melhor que o outro, é que cada método vai acentuar uma característica do café. A aeropress, por exemplo, extrai os óleos essenciais do café e isso fica nítido na superfície oleoso na bebida”, explicou Palmero.

MORRO GRANDE – Apesar dos novos métodos que facilitam a rotina ou que valorizam o grão, o café coado nunca esteve fora de moda.

O processo caseiro, de acordo com Lia Lima Gatti Höfling, diretora de marketing da empresa Café Morro Grande, chega a ser terapêutico.

“Existe um pequeno ritual de aquecer a água, transferir ao coador, sentir o aroma e depois beber com calma e serenidade. Temos depoimentos em nossas redes sociais de consumidores que gostam de coar café para relaxar”, revelou Lia.

Outro benefício do modo artesanal é que a bebida coada é a economia e a possibilidade de tomar mais doses.

“Enquanto utilizamos dez gramas para preparar um expresso, utilizamos 50 gramas para um litro do coado. Então, podemos consumir muito mais coados durante o dia do que expressos. Com certeza, por mais que a pessoa seja fã de café, o consumo não passa de quatro ou cinco expressos por dia. Com o coado é diferente, a cada horinha se pode tomar uma xícara, nos mantendo cafeinados o dia inteiro”, disse.

Para utilizar o coador de pano é preciso observar o nível de concentração do café, uma dica de Lia é procurar pela moagem média. Conforme a diretora de marketing, o Café Morro encaixa neste requisito.

“O tradicional é perfeito para coagem em fi ltro de papel ou fi ltro de polipropileno. Se o consumidor tiver em casa a cafeteira italiana, uma sugestão é procurar nos pontos de venda onde contamos com o moinho para moagem no momento da compra. As promotoras ajustam a moagem de acordo com o tipo de extração da bebida”, relatou Lia.

Barista Eraldo Palmero, do Café Balcão, mostra o café tipo Cartola (Foto: Amanda Vieira/JP)

Barista Eraldo Palmero, do Café Balcão, mostra o café
tipo Cartola (Foto: Amanda Vieira/JP)

NOVIDADE – Ao mesmo tempo que o tradicional cafezinho tem um lugar guardado no coração dos brasileiros, as novidades não deixam de atrair pela criatividade.

Assim acontece com o Café no Cone, receita feita em piracicaba pelo Café com Mé — Café, Bistrô e Decoração. Enivaldo Balestero Assalim, proprietário do local, contou que a receita surgiu na África e despontou recentemente em cafeterias de São Paulo.

Na novidade, o tradicional café expresso é servido dentro de uma casca de sorvete banhada em chocolate, com a opção da bebida também ser capuccino ou achocolatado.

“O pessoal tem gostado tanto que lançamos a versão premmium, que leva nutella e chocolate belga na borda da casca e chantilly por cima da bebida”, disse Assalim.

Há cinco meses na cidade, o Café com Mé oferece ainda os café gelado na versão de Afogatto, no sabor tradicional (café e sorvete), Avelãdado e Eleitizado (doce de leite).

Fora isso, a cafeteria inova ainda com o Espresso Havaiano, que atende a linha vegana usando leite de coco.

SERVIÇO — Café Balcão (rua Alexandre Petta, 641, Vila Rezende). De segunda, terça e quarta-feira, das 8h às 18h, quinta e sexta, das 8h às 22h, sábado das 9h às 12h30 e, domingo, das 17h às 20h30. Informações: (19) 3421-3210. Café com Mé. De segunda a quarta- feira, das 10h às 20h, quinta-feira das 10h às 23h, e sábado das 10h às 18h. Informações: (19) 3422-8828. Café Morro Grande. Informações: (19) 3434-0442 / 3432-7033 / 21063-660

Publicado em: 22 de maio de 2017

Adicionado em: Boa Comida

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