Marcelo Batuíra Marcelo Batuíra

  • Sereníssimas reflexões sobre Veneza II

    “Dopo il terzo biscottino intinto nel vinello, tutto parrà più bello.” (provérbio de Burano)

     

    O ano de 1902 marcou profundamente a todos os venezianos. No dia 14 de julho, às 10h, as fundações da torre de 96 metros, Il Campanile, cedem bruscamente e a Piazetta da Basilica de San Marco se vê coberta por uma nuvem de poeira oriunda dos milhares de tijolos da torre desmoronada. Não foi tanto a queda da torre de tijolos em si, construída no início do século XVI, por Bartolomeu Bon (1463-1529), que mais marcou a Veneza do início do século, mas sim o que ela simbolizava.

    Os cinco sinos do Campanile, cada um deles carinhosamente chamado pelo seu nome próprio, eram como relógios sonoros dos habitantes da cidade. Somente um deles, Marangona, sobreviveu à queda de 1902. Este sino tocava no início e no fim da jornada dos carpinteiros e anunciava as reuniões do Grande Conselho, os 3.000 cidadãos que faziam de Veneza uma verdadeira república democrática. Continue Reading

    25 de junho de 2014 • Colunistas, Marcelo Batuíra

  • Sereníssimas reflexões sobre Veneza

     

    “Come qualunque viaggiatore sa, a Venezia, le mappe non servono a nulla.” (Alberto Manguel)

    Em algum momento em meio a tantos canais, o mapa já não lhe faz mais sentido algum, depois de ter passado por vários sottoportegos, atravessado tantas pontes, você se vê completamente perdido. É aí que o tema do concerto em sol menor de Vivaldi (RV 103) vem à sua mente: é quando, delicada e suavemente, você se dá conta que está em Veneza.

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    25 de junho de 2014 • Colunistas, Marcelo Batuíra

  • Impressão

    De Gutenberg ao tablet: a lição do tempo

     

    A pergunta mais frequente que ouço é se o jornal vai acabar. E a resposta para essa pergunta não está no futuro, mas no passado. Não num passado recente, mas naquele que remonta ao início da era cristã. Sim, até recentemente não houve nenhuma invenção que se igualasse, em termos revolucionários, à invenção do Codex e dos tipos móveis. Até que Steve Jobs criou o que se atende pelo nome genérico de tablet, mais conhecido como iPad.

    Ao contrário do que Sócrates propagava, a escrita foi sim uma invenção revolucionária que mudaria o mundo. Sócrates não acreditou nela e não deixou nada escrito. Até hoje se colocam em dúvida o que ele ensinou ou até mesmo se ele existiu de fato. Mas seus contemporâneos logo perceberam que as palavras gravadas nos rolos de pergaminho sobreviveriam a seus autores. Os rolos de pergaminho tinham em geral 6 ou 7 metros de comprimento e eram lidos na medida em que eram desenrolados. Nada prático.

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    25 de junho de 2014 • Colunistas, Marcelo Batuíra

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