Marcio Roffman Marcio Roffman

  • Salvaguarda do patrimônio histórico

     

    Já foi falado que o restauro e a conservação do patrimônio histórico são trabalhos para o especialista. Entretanto, qualquer bem, seja um monumento arquitetônico, uma escultura, um quadro, um livro ou um patrimônio imaterial, pode e deve ser preservado por aqueles que sentem que tal bem representa valores de um período ou que reflita a memória de uma determinada cultura. Além das medidas para preservação, qualquer cidadão pode propor que o bem seja tombado por um órgão de proteção.

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    25 de junho de 2014 • Colunistas, Marcio Roffman

  • Patrimônio histórico

     

    Se considerarmos que a arquitetura é a união da filosofia e da estrutura, parece claro que os quesitos que atribuem a ela o título de monumento histórico devem estar embasados tanto no pensamento filosófico como no conhecimento construtivo, aplicados ao edifício. Logo, monumentos históricos devem conter tanto a ideia do trabalho de construção como dos eventos que se desenrolaram durante essa construção. É nessa mistura – de tempo, trabalho e paisagem, em meio a sucessivas transformações – que se consolida o conceito de patrimônio histórico.

    Mas o conceito de patrimônio histórico, que além dos monumentos arquitetônicos envolve toda sorte de representações da cultura de um povo, nasce no tempo de Leon Battista Alberti (1404‑1472) com a ideia de conservar um edifício pela única razão de ele ser um testemunho da história. É no Renascimento que a ideia de valor do patrimônio se consolida, a princípio como valor informativo e valor hedonístico. Esse novo paradigma inicia o conceito de patrimônio histórico e como seus valores são determinados.

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    25 de junho de 2014 • Colunistas, Marcio Roffman

  • A ideia de arquitetura

     

    Não podemos, porém, definir a arquitetura como a construção de um espaço, pois há diferença entre a construção para satisfazer uma necessidade material e a arquitetura. Parece claro que o homem que apoia algumas folhas sobre troncos para se proteger da chuva tem intenção bastante diferente daquele que, com as mesmas folhas e troncos, protege a entrada da gruta onde mora e faz pinturas rupestres que contam as histórias do clã. O primeiro busca apenas uma solução momentânea enquanto o segundo planeja, aperfeiçoa e embeleza.

    É nessa mesma época que encontramos as primeiras sementes do restauro. Afinal, contar todas as noites o mesmo mito no entorno de uma fogueira demonstra a intenção de manter uma memória que identifique os membros de uma mesma tribo.

    Milhares de anos mais tarde, com o desenvolvimento das ferramentas, do conhecimento sobre os materiais, principalmente a pedra, a madeira e a terra, e dos primeiros estudos de matemática e física, o homem se torna capaz de construir enormes estruturas, como as pirâmides dinásticas no Egito ou das civilizações pré-incaicas no Peru. Estava concretizada a ideia de arquitetura.

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    25 de junho de 2014 • Colunistas, Marcio Roffman